domingo, 8 de maio de 2011

História da Fotografia III

Na seqüência de suas atividades, durante o ano de 1827, na Inglaterra, Niepce apresentou suas heliografias (imagens expostas à luz do sol) a Royal Society, não encontrando, todavia, receptividade por parte daquela instituição, pois ainda encontrava-se resistente em revelar o segredo do seu processo.
A partir de 1829, Niepce manteve cuidadosos contatos com Daguerre, o que o levou, desde então, a associar-se a ele, mantendo-se por correspondência em contato com as investigações das pesquisas, havendo uma ruptura em 1833, com seu falecimento.

Nas imagens, o dueto Niepce e Daguerre.





Neste mesmo ritmo descobridor, destacamos o artista francês Louis Jacques Mande Daguerre (1787-1851), inventor do diorama, que era caracterizado por cenas pintadas sobre uma tela semitransparente, que apresentava uma extrema precisão de detalhes e perspectivas. Essas cenas eram iluminadas por luz direta ou refletida produzindo efeitos que criavam uma ilusória sensação de realidade, ou seja, uma ilusão ótica, muito apreciado nos teatros de Paris.



Para a realização desses desenhos sobre tela, Daguerre utilizava a câmera escura.
Após a formação da sociedade com Niepce, Daguerre passou a investigar numa outra linha de trabalho, levando-o a desenvolver experiências com uma nova substância química sensível à luz, o iodeto de prata, ainda em 1831. Nos períodos de 1835 e 1837, descobriu que, em questão de minutos, com o uso do vapor de mercúrio, fazia aparecer a imagem latente, ainda invisível, que havia sido registrada na placa anteriormente sensibilizada. O mercúrio funcionava, portanto, como um revelador.
E, por volta de 1837 e 1838 Daguerre percebeu que o sal comum poderia agir como fixador dessa imagem e foi utilizando este método até conhecer o hipossulfito de sódio, ideal para a fixação destas placas.
Mais tarde, com o aperfeiçoamento das técnicas descobertas, o astrônomo e político francês François Arago, membro da Academia de Ciências de Paris, propôs a compra do daguerreótipo pelo governo da França, tornando conhecida a descoberta de Daguerre, patenteada na Inglaterra em 14 de agosto de 1839.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA II

Por Sandra Rubin*
Entre os pioneiros da fotografia encontramos Thomas Wedgwood (1771-1805), inglês, filho do famoso ceramista da época Josiah Wedgwood. Ele foi o primeiro a realizar experiências com o objetivo de reter os contornos de vários objetos sobre superfícies fotossensíveis. Utilizando-se de material como o papel e o couro, sensibilizados com a substância de nitrato de prata, sobre superfícies compactas, conseguiu copiar por contato, por intermédio da ação da luz do sol, folhas, asas de insetos e desenhos pintados sobre vidro. Mas não encontrou um meio de fixar essas provas ou experiências, as quais só podiam ser observadas através da luz de velas. Logo, fez tentativas também com a câmera escura, mas novamente não conseguiu capturar as imagens através desse processo.
Suas experiências, segundo alguns autores, foram executadas posteriormente com a ajuda do cientista Sir Humphry Davy (1778-1829), físico e químico inglês, que deu início aos trabalhos de descoberta da Eletroquímica.
Joseph Nicéphore Niepce (1765-1833), cientista amador francês (KOSSOY, 1980), realizou inicialmente as pesquisas com processos litográficos e, em 1816, utilizou a câmera escura e papel sensibilizado quimicamente com cloreto de prata, obtendo então as imagens em negativo. A partir dessas experiências buscava descobrir então, um sistema positivo direto.
Após muitas tentativas com várias substâncias químicas como a resina guaiacum e o fósforo, percebeu que o betume da Judéia era a substância sensível à luz ideal para o que pretendia.


Utilizando o betume, Niepce recobria suas placas, que eram inicialmente feitas de pedras e mais tarde de metal como o cobre, zinco, estanho, e também o vidro. A experiência foi feita através de um desenho existente ou uma litogravura, que foi envernizada até tornar-se transparente. Logo, colocou este desenho sobre a placa e o expôs à luz, obtendo, desta maneira, uma cópia por contato. Mas Niepce não se contentava, precisava ainda descobrir como fixar a placa, ou seja, deixá-la com durabilidade mais intensa. Esse resultado foi concretizado quando mergulhou a referida peça numa mistura de óleos de lavanda e terebentina, na qual ambas as substâncias agiam como um solvente, eliminando as partes do betume que não haviam sido atingidas pela luz, ou melhor, as superfícies sombrias. Desta forma, as luzes eram representadas pelo betume endurecido e as sombras pelo material descoberto, já que o betume teria sido retirado.
As tentativas não cessaram em continuar com as descobertas fotográficas e, com sucesso, em 1826 foi realizada a primeira fotografia do mundo. Esta se tratava de uma vista panorâmica feita da janela da residência de Niepce.
Para tal feito, utilizou-se de uma câmera escura fabricada pelo ótico francês Chevalier, sobre uma placa de estanho devidamente preparada conforme o método citado acima. Após oito horas de exposição contínua à luz, que se deu devido a pouca sensibilidade do betume da Judéia, houve o aparecimento da imagem latente ou visível, levando, em média, oito horas de exposição ao sol.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

História da Fotografia I

Por Sandra Rubin*


Conforme estudos que nos orientam relativos à imagem fotográfica, existem duas origens para explicar o termo fotografia. A primeira vem da Grécia, sendo mais usada nos países ocidentais, na qual "foto = luz e grafia = escrita". Através do significado dessa terminologia conclui-se que a fotografia é a arte de escrever por meio da luz, o que a define como uma escrita. A segunda idéia, de origem oriental, nasceu no Japão, onde se diz "sha-shi", que quer dizer reflexo da realidade. Desta maneira, a fotografia é entendida como uma forma de expressão visual.

Para Boris Kossoy, o termo fotografia é definido como a arte e processos de fixar, através da ação da luz, a imagem de objetos sobre uma superfície sensível do tipo placa de metal, película ou papel e, por conseguinte, a reprodução do mundo real.

A fotografia é reconhecida oficialmente como produto da ciência em 1839 pelo litógrafo, pesquisador e cientista francês Joseph Nicéphore NIEPCE, o qual após diversas tentativas para obtenção dos resultados desejados, buscou desvendar os processos físico, químico e ótico, baseados no fundamento da câmera escura, dando origem à primeira imagem fotográfica - a heliogravura.

Estes processos foram aplicados com um mesmo propósito e, durante muitas tentativas, se poderia concluir que a câmera fotográfica baseia-se, fundamentalmente, no princípio da câmera escura, na época conhecida como câmara obscura. A câmera escura é constituída por um círculo fechado contendo numa de suas paredes um orifício de pequeno diâmetro, por sua vez penetram os raios de luz refletidos dos objetos externos, projetando-se na parede oposta e produzindo uma imagem invertida desses objetos que, após os processos de sensibilização química, dará origem à imagem latente ou imagem fotográfica.

Portanto, a fotografia surgiu, basicamente, a partir do conhecimento dos processos ótico e químico desenvolvidos e aplicados de uma só vez, por pessoas diferentes, em lugares diferentes.

O princípio da câmera escura, citada por muitos autores como câmera obscura, data de tempos remotos e foi aperfeiçoada por "... Aristóteles (384-322 a.C.); Alhazen (956-1038), sábio árabe que observou a relação entre o diâmetro do furo e a nitidez da imagem; Roger Bacon (1214-1294); Leonardo da Vinci (1452-1519); Johann Kepler (1571-1630), e muitos outros" (KOSSOY, 1980, p.37).

De acordo com estes estudos, os conhecimentos acerca das substâncias químicas que alteravam, pela ação do ar ou da luz, o processo de fixação da imagem tiveram no século XVIII a sua grande escalada. Johan Heirich Schulze, Jean Hellot, Joseph Priestley, Carl Wilhelm Scheele, Jean Senebier, entre outros, fizeram a história da fotografia nesse século.

Primeira fotografia - sensbilizada numa placa de estanho recoberta
de derivado de petróleo - 8 horas de exposição ao sol









quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Fotografia e a Comunicação na História

Alegoria "A Caverna" - Platão
(por Humberto Z. Petrelli)

O ser humano comunica-se através da fala, da escrita, de gestos e imagens. Na fala e na escrita, por mais diversidade que a palavra apresente, conseguimos compreendê-la quando inserida em um contexto. Já a imagem apresenta vários significados intrínsecos e sua leitura vai depender não só do contexto, mas também da experiência técnica e sócio-cultural de cada um para, de certa forma, tornar-se um objeto de relevante importância para a documentação histórica.
Em todo tipo de espaço há imagens, sejam elas fixas ou móveis, as quais se destinam exclusivamente a comunicar algo, em especial as mensagens, utilizando-se de processos de descrição e representação do mundo real.
Dependendo de seu aspecto cultural, social e ideológico, a imagem pode confundir-se com o que ela representa, permitindo imitar, enganar ou até mesmo educar, podendo levar ao conhecimento.
E, neste aspecto, emerge a fotografia, como um instrumento necessário à contribuição social e cultural, que capta de fato uma quantidade de figuras e movimentos que os olhos não conseguem ver porque não os separam dos fatos antecedentes e dos seguintes e que, segundo Roland Barthes "... é a forma de eternizar um momento da vida que jamais se repetirá", bem como essa imagem permanecerá em nossa memória por um longo tempo.
As imagens possuem valores e significados os quais são revelados no momento da interpretação, logicamente tendenciados de acordo com a experiência sócio-cultural de cada leitor. Por esse fator é que atribuimos à imagem um lugar destacado na ciência da comunicação, pois permite diferentes leituras acerca de um mesmo quadro compositivo.
E, como diz Boris Kossoy, o "historiador da imagem", a fotografia é memória, fonte inesgotável de informação e emoção. Memória visual do mundo físico e natural, da vida individual e social a qual estimula a mente à lembrança, à reconstituição, à imaginação. É uma possibilidade inconteste de descoberta e interpretação da vida histórica, isto é, possibilita uma releitura do passado multiforme. (Sandra Rubin)